
por Regina Papini Steiner
Há algo de profundamente contraditório no coração humano: o mesmo ser capaz de criar pontes também ergue muros; o mesmo que canta à liberdade ergue bandeiras para morrer por fronteiras. O homem, desde os primeiros passos na terra, carrega em si a semente da criação e da destruição.
A guerra não nasce por acaso — ela germina no orgulho, floresce na ganância e frutifica na ilusão do poder. Em nome de ideias, de deuses e de pátrias, o homem marcha contra o próprio reflexo, esquecendo que, ao empunhar uma arma, fere a si mesmo mais do que ao outro. O campo de batalha é menos geográfico do que íntimo; é dentro do homem que a guerra primeiro começa.
E, ainda assim, existe a paz — tênue, às vezes silenciosa, mas resistente. A paz não é ausência de conflito, mas a escolha diária de não alimentar o ódio. Ela é construída com escuta, cultivada com empatia e sustentada com coragem. Não a coragem de quem atira primeiro, mas a de quem estende a mão.
Entre a guerra e a paz, o homem oscila como chama ao vento. Mas há esperança: a cada gesto de compaixão, a cada palavra que consola ao invés de ferir, o pêndulo se inclina para o lado da vida. Que o homem, enfim, descubra que o verdadeiro heroísmo não está em vencer o outro, mas em vencer a si mesmo.
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