
A análise dos conflitos em Israel e no Afeganistão não pode se limitar a estratégias militares ou interesses políticos. Em ambos os casos, há uma constante que deveria alarmar o mundo: a grave e sistemática violação dos direitos humanos. Quando se coloca o ser humano no centro da discussão, é impossível ignorar as consequências devastadoras desses conflitos prolongados.
Em Israel e nos territórios palestinos ocupados, milhares de civis, especialmente palestinos, vivem com condições de extrema vulnerabilidade. A cada ofensiva militar, escolas, hospitais e casas são destruídos. Crianças crescem sob o som de bombardeios, com acesso limitado a educação, saúde e segurança. A restrição de circulação imposta aos palestinos na Cisjordânia e em Gaza, os despejos forçados e a ocupação militar contínua configuram, segundo diversas organizações internacionais, violações claras do direito internacional humanitário. Enquanto isso, o direito à autodeterminação do povo palestino segue sendo ignorado.
No Afeganistão, desde a retomada do poder pelo Talibã em 2021, as liberdades individuais, especialmente das mulheres e meninas, vêm sendo sistematicamente suprimidas. O acesso à educação feminina foi drasticamente cortado, jornalistas são perseguidos, e opositores ao regime são silenciados com violência. A população vive com medo constante, sem garantia de direitos civis básicos, como a liberdade de expressão, de associação e até de ir e vir. O Afeganistão se tornou um dos lugares mais hostis do mundo para mulheres, que foram apagadas da vida pública por um regime que se baseia na repressão.
A grande questão é: onde está a comunidade internacional? Muitas vezes, as violações de direitos humanos nesses países são vistas como “consequências inevitáveis” de guerras complexas. Mas não se pode normalizar o sofrimento humano. Nenhum interesse geopolítico justifica a negação da dignidade humana.
Defender os direitos humanos não é tomar partido entre governos ou ideologias, mas sim posicionar-se ao lado de quem sofre: das crianças palestinas em campos de refugiados, das mulheres afegãs proibidas de estudar, dos civis que perderam suas casas e suas famílias.
O mundo precisa parar de tratar essas tragédias como estatísticas distantes e começar a agir para garantir que os direitos fundamentais sejam respeitados, independentemente de fronteiras ou crenças.
por Regina Papini Steiner
01 de junho de 2025
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