Saúde Mental: A Urgência Invisível do Nosso Tempo

Em um mundo que romantiza a produtividade a qualquer custo, cuidar da saúde mental ainda é visto por muitos como um luxo quando deveria ser tratado como uma necessidade básica. A ansiedade, a depressão e outras condições psicológicas não apenas afetam silenciosamente milhões de pessoas, como se tornaram sintomas diretos de uma sociedade doente que normaliza o esgotamento.

Enquanto o discurso sobre bem-estar ganha força em redes sociais, ambientes de trabalho continuam negligenciando a criação de espaços saudáveis. O que vemos, muitas vezes, são campanhas de setembro amarelo com frases de efeito, mas sem políticas efetivas. Empresas que oferecem “palestras motivacionais” enquanto exigem jornadas desumanas. Escolas que não formam emocionalmente. E governos que cortam verbas da saúde mental ao mesmo tempo em que veiculam campanhas de prevenção ao suicídio.

O Brasil é um dos países com maior índice de transtornos de ansiedade no mundo. Isso não é coincidência. É reflexo direto da insegurança social, do racismo estrutural, da LGBTfobia, do desemprego crônico e do bombardeio constante de informações. E ainda assim, o debate sobre saúde mental continua a ser tratado com superficialidade.

Precisamos falar de saúde mental com a mesma seriedade com que tratamos doenças físicas. Precisamos de políticas públicas robustas, de acesso gratuito e contínuo ao acompanhamento psicológico e psiquiátrico, de formação de profissionais nas escolas, de espaços seguros nas empresas e de menos tabu.

Cuidar da mente é um ato político. É dizer não a uma lógica que nos quer adoecidos e produtivos. É reivindicar uma vida plena, consciente e digna. Em tempos de tanta incerteza, o autocuidado coletivo é a resistência mais necessária.

Regina Papini

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