O Governo Coca-cola: zero empatia e zero responsabilidade.

A recente frase do governador Tarcísio de Freitas  “quando falsificarem Coca-Cola, vou me preocupar” não é apenas infeliz; é sintomática de uma visão de mundo em que o consumo e o lucro valem mais do que a vida e a segurança pública. Dita em tom de ironia, a declaração banaliza a gravidade de falsificações que, no caso, envolvem bebidas potencialmente tóxicas e mortes de consumidores.

Ao comparar a falsificação de uma marca global a um problema que ceifa vidas, o governador reduz o papel do Estado, cuja função deveria ser justamente proteger o cidadão. A fala revela um distanciamento preocupante entre a autoridade e a realidade do povo  principalmente o mais pobre, que é o mais vulnerável aos produtos de risco.

Enquanto famílias choram vítimas de produtos adulterados, o governador escolhe a piada fácil. Talvez, para ele, a tragédia só mereça atenção se vier com rótulo americano e gás importado. A ironia é que, no Brasil de Tarcísio, o que mais se falsifica não é a Coca-Cola  é a sensibilidade política, a responsabilidade pública e o compromisso com a vida.

É curioso como, em vez de liderar investigações ou reforçar a fiscalização, o chefe do Estado prefere brincar com a tragédia. Talvez a dor do povo não seja “premium” o bastante para merecer atenção. Afinal, quem se importa com vidas quando o problema é a falta de uma marca global?

Se o parâmetro de preocupação do governo é a Coca-Cola, então o cidadão comum que consome o “genérico” está condenado a ser invisível. No fundo, Tarcísio revelou mais do que quis: um governo que confunde ironia com inteligência e desumanidade com firmeza.

Regina Papini Steiner

Referência:

  • Entrevista coletiva do governador Tarcísio de Freitas, 2025, repercutida por veículos como Folha de S. Paulo e O Globo, sobre operações contra bebidas falsificadas no interior paulista.

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