Retomar o olho no olho: um gesto simples que estamos perdendo.

Vivemos a era em que tudo está ao alcance de um toque menos a profundidade das relações. O celular, que deveria aproximar, muitas vezes nos afasta do que realmente importa. Não é raro ver casais sentados à mesma mesa, dividindo o mesmo prato, mas não o mesmo olhar. Cada um imerso em sua tela, como se o mundo real fosse um incômodo temporário entre uma notificação e outra.

Pais conversam com amigos pelo celular enquanto os filhos tentam, em silêncio, disputar um espaço que já deveria ser deles. Vira hábito: a criança fala, o adulto responde sem levantar os olhos, e a mensagem subliminar é dura, o digital é mais urgente que o afeto.

Retomar o olho no olho, portanto, não é um romantismo ultrapassado. É um resgate. É lembrar que presença não se mede por proximidade física, mas por atenção verdadeira. É no olhar que percebemos nuances, emoções, aquilo que nenhuma tela consegue traduzir com fidelidade.

Precisamos reaprender a estar juntos de verdade. Guardar o celular no bolso no jantar. Ouvir com o corpo inteiro. Trocar olhares que dizem mais que frases digitadas às pressas. Porque vínculos não se constroem com emojis, se constroem com presença.

E talvez, ao levantarmos os olhos, percebamos que o que mais buscamos nas telas está, na verdade, bem à nossa frente.

Regina Papini Steiner

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